Empresas reduzem demanda por crédito e adiam investimentos para driblar juros e incerteza política

Os juros elevados e o cenário de incerteza política têm feito as empresas brasileiras diminuírem a demanda por crédito, segundo a Serasa Experian. Junho registrou um crescimento tímido de 2,9% na busca por recursos financeiros extras na comparação com o mesmo mês de 2021.

Quem ainda impulsiona o índice são as micro e pequenas empresas, que elevaram em 3,1% a demanda no período. A principal necessidade é por créditos emergenciais, diz Luiz Rabi, economista da Serasa Experian.

“São empresas mais precárias do ponto de vista de tomada de decisão e de avaliação do cenário econômico. Quando a economia desacelera, essas micro e pequenas empresas, que não se planejaram adequadamente, acabam tendo que tomar crédito de curto prazo para manter a eficiência do caixa ao longo do mês”, afirma.

Já os negócios de médio e grande porte, que conseguem adiar investimentos, registraram queda pelo sexto mês consecutivo: de 5,8% e 2,3%, respectivamente.

O levantamento considera créditos mercantis e bancários, incluindo o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte).

O setor de serviços liderou a procura por crédito, com avanço de 7,3% em junho ante igual mês do ano passado, segundo o levantamento. A indústria aparece em seguida, com 6,1%. Já o comércio foi o único segmento que apresentou queda no período, de 3,2%.

A desaceleração deve se manter ao longo do segundo semestre, avalia Rabi. “As empresas ficam com pé atrás, muito mais cautelosas, na hora de aumentar seu endividamento, e vão voltar a demandar crédito com intensidade conforme as incertezas eleitorais forem resolvidas e, em um segundo momento, quando a taxa de juros voltar a cair.”

As empresas da região Norte foram as que mais demandaram crédito na comparação com junho de 2021. Depois vem Sudeste e Sul. Nordeste e Centro-Oeste tiveram queda.

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