Venda de veículos despenca 23% no primeiro trimestre com Ômicron e alta dos combustíveis

A venda de automóveis, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus registrou queda de 22,5% em março na comparação com o mesmo mês de 2021, totalizando 146,8 mil unidades, segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), divulgados nesta terça-feira, 5. Na comparação com fevereiro, o setor teve alta de 10,9%. O resultado faz o mercado automotivo registrar queda de 23,1% no primeiro trimestre ante o mesmo período do ano passado. Considerando a venda de motos e implementos rodoviários, o setor encerrou o mês com alta de 1,4% ante março de 2021, e de 23,2% na relação com fevereiro. Já na comparação trimestral, a queda foi de 7,6%.

O presidente da entidade, José Maurício Andreta Jr., afirmou que o desempenho é reflexo de fatores domésticos, como a piora da pandemia da Covid-19 no início do ano, e o cenário internacional. “A variante Ômicron afetou a produção de diversos componentes industriais e a venda de veículos, no início do ano. Em seguida, houve o conflito entre Rússia e Ucrânia, que deixou muitos consumidores preocupados, especialmente, com os preços dos combustíveis”, afirma. “Esta elevação impacta na decisão de compra dos consumidores de veículos e reflete no desempenho do nosso setor.”

A falta de insumos, especialmente os semicondutores, é um dos principais gargalos para a indústria automotiva. A Mercedes-Benz anunciou nesta quarta-feira, 4, que dará 15 dias de férias coletivas para 5 mil trabalhadores da unidade de São Bernardo do Campo (SP) e para 600 da planta em Juiz de Fora (MG) por causa da falta dos componentes eletrônicos. O período inicia no dia 18 de abril e se estenderá até 3 de maio. A escassez já levou a diversas paralisações de linhas de montagem ao longo dos últimos dois anos e foi um dos principais fatores para o “apagão” de carros novos nas concessionárias em 2021.

A entidade manteve a projeção de alta de 4,6% na venda de automóveis, veículos comerciais leves, caminhões e ônibus ao fim deste ano — totalizando 1,6 milhão de unidades. Para o quadro com motos e implementos rodoviários, a expectativa é avançar 5,2%, somando 3,5 milhões de unidades. “Os efeitos da pandemia no primeiro bimestre deste ano, somado aos impactos do conflito no Leste Europeu, nos leva a um cenário ainda incerto, o que nos impede de realizar revisões mais precisas neste momento”, explica Andreta Jr. Como pontos positivos, a entidade citou a redução de 25% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) pelo governo federal e a criação do Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária no País (Renovar).

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